quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Hard To Fall with Pin Ups - Entrevista


Bem, desnecessário mais e mais explicações, comentários ou qualquer coisa a respeito do que acontecerá no próximo sábado, 14/11 no Sesc Pompéia. Muito já se falou, escreveu, etc, etc, etc. O ponto é, sim será o derradeiro show do Pin Ups, o motivo? Hmmmm lendo a entrevista o Zé explica em detalhes fora outras coisas que o TBTCI estava há tempos com vontade de perguntar ao nosso grande amigo e principalmente ídolo.

Já escrevi na semana passada algo mais emocional e pessoal a respeito deste acontecimento, afinal, cada um de nós certamente deve ter histórias pessoais com os shows/álbuns ou qualquer outro pormenor que o Pin Ups nos brindou, e, se você ainda não tem, sábado pode ser um belo início de seu mais novo caso de amor musical.

Uma constelação de amigos e grandes personagens de uma era mágica na música alternativa desse país acompanhará Zé Antônio, Alê e Flávio, Mario Bross (Wry), Rodrigo Gozo (Killing Chainsaw), mestre Rodrigo Carneiro (Mickey Junkies) e Adriano Cintra (Thee Butcher´s Orchestra), tá bom pra você? Sim vai ser histórico, surreal mesmo.

Palavras são subjetivas nesse momento, prefiro apenas ficar com a frase do amigo Montalvão; "vem dia 14, vem mas passa bem devagarzinho ......"


***** Entrevista com Zé Antônio Algodoal (Pin Ups) *****


Q. Zé, mais de 25 anos de uma trajetória que mexeu e mexe com muita gente do meio, é inegável o tamanho da influência do Pin Ups, não somente para quem acompanhou desde o início, mas também para os dias atuais, o que significa para você, o Pin Ups de verdade e como você avalia a importância de vocês?
Essa é uma pergunta difícil de responder. Durante todo o tempo em que a banda esteve na ativa, sempre nos preocupamos em tocar, nos divertir junto com a plateia, jamais pensamos que nosso trabalho pudesse ter alguma influência. É claro que algumas bandas nos diziam isso, mas sempre achávamos que era apenas uma demonstração de carinho. Hoje, depois de 25 anos, estamos vendo nossa história sendo contada em dois documentários e um livro, que fala sobre várias bandas, mas uma boa parte sobre nós. Além disso muita gente tem nos falado sobre a importância do Pin Ups, etc. Confesso que fiquei surpreso com toda essa lembrança.A gente acaba achando que a banda só era importante pra nós e hoje percebemos que foi um pouco além. Digo isso porque em nossa época tudo era mais difícil, entramos em várias roubadas, fizemos a maioria dos shows praticamente sem ganhar nada e suávamos pra ter um pedal ou um instrumento decente, mas tudo isso não importa, nos divertimos muito e esse reconhecimento fez tudo valer a pena. Fico extremamente grato por isso.

Q. Cada álbum do Pin Ups retrata um período bem especifico da fase/história da banda, certo. Então, qual o seu predileto e por quê?
Ok, essa pergunta é do tipo “qual seu filho predileto” rsrsrsrs Tenho carinho por todos os álbuns, mas ao mesmo tempo sou muito crítico. O Time Will Burn, por exemplo, é um disco que me agrada mais pelo conceito do que pelo resultado. Ouvindo hoje sei que poderíamos ter tocado melhor, cuidado dos vocais e feito uma gravação mais bacana. Mas sei que ele talvez tenha sido um dos álbuns mais importantes para a nossa carreira. Gosto muito do Lee Marvin, Jodie Foster e Bruce Lee Acho que ali estávamos soando melhor, os vocais estavam bons e indicavam muita coisa que poderia ter vindo pela frente. Mas sempre digo que o melhor álbum do Pin Ups é o que não foi gravado.


Q. Qual sua expectativa para o último show?
Estamos tendo o maior cuidado. Escolhemos o repertório com cuidado, incluímos Sonic Butterflies, que nunca tocamos, e teremos alguns convidados especialíssimos, o Adriano Cintra, o Carneiro do Mickey Junkies e o Rodrigo Gozo do Killing Chainsaw. Se eu te disser que não estou apreensivo é mentira rsrs, mas espero que seja divertido para nós e para o público, queremos manter o espírito que nossos shows sempre tiveram. E estamos fazendo o possível para que seja o melhor que já fizemos.

Q. Aqui entre nós, vai ser mesmo a despedida? (Rsssssss)
Vai sim. Estamos vendo muitas bandas daquela época voltando à ativa, e, talvez por isso, muita gente duvida, acha que é marketing rsrs. M as depois de muitas conversas achamos que em nosso caso o melhor a fazer é caprichar em um último show como agradecimento à todos que estiveram ao nosso lado durante todo esse tempo e também ter o privilégio de tocar pra gente mais nova que nunca nos viu ao vivo.

Q. Alguma possibilidade de reprensar o catálogo da banda?
Essa é uma idéia que sempre ocorre. Mas o primeiro álbum é um problema, pois a gravadora que o lançou, Stilletto, fechou as portas de uma maneira bem estranha e nunca soubemos onde a master foi parar. Mesmo assim estamos tentando uma remasterização e logo todo o catálogo estará disponível digitalmente em algumas plataformas. Adoraríamos relançar todos em vinil ou em um box, mas a crise brasileira impede que isso aconteça, pelo menos por enquanto.


Q. Das bandas novas do cenário nacional e internacional, o que você destaca atualmente?
Nossa... tem tanta coisa que eu ouço que isso é sempre difícil de escolher. Tenho ouvido muito o álbum novo do Widowspeak, All Yours, que é lindo, eles já tem uns cinco anos, mas esse álbum saiu há pouco. Também gosto do álbum de estréia do Bohicas, The Making Of, banda de Londres que tem uma energia que me agrada muito, adorei o The Diet do HeCTA ... e também algumas bandas como o The Preatures, Bully, Anti Pony, King Gizzard and the lizard Wizard, Viet Cong, Black Honey, Demob Happy...sei lá, tanta coisa boa. E ainda tem gente que diz que hoje não tem música boa Dos nacionais acho que as duas bandas que ouço e gosto nem são assim tão novas, mas eu citaria o Twin Pines e o Single Parents.

Q. A inevitável mas fundamental neste momento, considerações finais....
Olha Renato, em relação ao Pin Ups no final só tenho que agradecer. Com a banda viajei bastante, conheci pessoas incríveis,toquei com pessoas queridas, me diverti bastante, aprendi muito e receber todo esse carinho ainda hoje é um privilégio. Sou meio ruim nessa coisa de considerações finais, mas acho que é isso.
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Obrigado Zé!



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