quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sedative Distortion com Second Come - Entrevista com F. Kraus


Qualquer um que viveu os inferninhos dos 90´s sabe muito bem o que significa o nome Second Come, sua importância, influência, etc, etc, etc.

Desnecessário reescrever o porque, pra que pra afirmar que You, o debute dos caras é uma pedra fundamental na história do rock alternativo deste país, sem mencionar Superkids, Superdrugs, Supergods and Strangers, o segundo álbum do SC.

Muita coisa aconteceu na história dos caras, idas e vindas, várias formações desde a primeiro demo até os álbuns chegaram ao mundo, houve separação, houve a triste perda para sempre de Fábio Leopoldino, e daí quando se imagina que não mais haveria possibilidade do SC nos agraciar com seu barulho de primeira grandeza, eis que por caprichos dos deuses da música, F. Kraus em conjunto com seus guerreiros em prol de barulho, diversão e boa música, estão aí, e é sempre fundamental, entender e saber o que acontece com uma das mais importantes e históricas bandas do underground brasileiro.

Sras, e Srs, Second Come no TBTCI, com a palavra F. Kraus.


***** Interview with Second Come *****



 Q. O Second Come é um referência pra muita gente que era moleque nos 90´s e até os dias de hoje existe um culto ao redor da banda, como você avalia todo esse cenário?
R: Na realidade, até hoje eu não tenho a dimensão desta referência. Não consigo entender bem isso. Converso com algumas pessoas, inclusive de bandas novas, que me falam sobre isso, sobre a "importância do Second Come" pra eles, pra música que eles fazem. Acho sensacional isso, mas não consigo entender bem, saca? Ainda mais vinte anos depois!! Fizemos tudo por diversão, tocando apenas as canções que nas faziam bem. Bom saber que divertimos e continuamos divertindo outras pessoas.

Q. A história do Second Come se mistura facilmente com a história da cena alternativa no Brasil, conte um pouco da história da banda, como tudo começou? Influências..
R: O SC meio que nasceu antes do Eterno Grito - banda em que eu e o Fabio tocávamos - acabar, entre 88 e 89. Queríamos fazer algo mais solto, mais sujo, mais pesado,"mas sem perder a ternura, jamais" rsrs... A melodia era e é muito importante para a banda. Junto com o Dalton, baterista que chegou a tocar nos últimos shows do Eterno Grito, buscamos um segundo guitarrista. O Dalton chamou um amigo dele, Fernando Kamache, um moleque de 16/17 anos, com toda a pegada do metal, mas que não ficava "acorrentado" aquele estilo. As primeiras músicas que gravamos, apontavam essa mistura, mas ainda não soavam tão barulhentas... As influências sempre foram as mais diversas, não há como citar isso ou aquilo. Fazíamos musicas influenciados por tudo o que já havíamos escutado, sem um "estilo" definido. Lembro-me que algumas pessoas, jornalistas inclusive, tentando "enquadrar" o som em algum estilo rsrs Nos divertíamos muito com isso!


Q. “You” e “Superkids, Superdrugs, Supergods and Strangers” estão há anos fora de catalogo e continuam mais atuais do que nunca, qual o segredo desses álbuns?
R: Exatamente por não nos enquadrarmos em um estilo, as canções não soam datadas. Acho que este é um dos fatores das músicas perdurarem. Mas o "fora de catálogo" será resolvido em breve...

Q. Como era a sensação de tocar ao vivo?
R: É o que mais gostamos de fazer, até hoje. E voltar agora é exatamente por isso: fazer o que gostamos e resgatar a diversão que precisamos em nossas vidas.

Fizemos alguns shows sensacionais e inesquecíveis pra gente.

Desde o primeiro show da banda, que ocorreu em São Paulo (sim, a estréia do Second Come foi em São Paulo, no SESC Pompéia numa sexta e no Retrô num sábado), tocamos em vários e bons lugares, como o Espaço Retrô em SP - Roberto Cotrim, foi um dos caras mais legais que tive a oportunidade de conhecer pelo Second Come; o 92º em Curitiba - o Jr. é o outro cara que merece todo o respeito; Escola Parque em Brasília; Circo Voador, Garage Art Cult, Canecão no Rio e uma porrada de outros lugares. Em algumas ocasiões, os shows terminavam com muita gente no palco, pulando, dançando, cantando... maravilhoso.

Q. Quais seus discos de cabeceira?
R: Não tenho cabeceira rsrs...

Mas é sério, não tenho muitos discos referenciais, recorrentes. Ouço hoje muito do que sempre ouvi.

As coisas novas que ouço se parecem com as antigas :) Gosto muito de música. Ouço música todos os dias, indo pro trabalho, trabalhando, voltando do trabalho, pra acordar, pra dormir. Sempre. Eu seria muito parcial com tudo que ouço se preferisse alguém ;-P

Q. Como era o processo de criação e gravação?
R: Não havia processo. Trazíamos idéias pro estúdio e montávamos a música ali. Gravávamos muito rápido... lembro que uma das demos que lançamos na época, tinha oito músicas! Ensaiávamos muito antes de gravar.

As composições do "You" seguiram desta forma. Antes de gravá-lo, sentamos num boteco, fizemos uma lista com umas vinte e poucas músicas e escolhemos as que achamos que ficariam boas numa sequencia de show. Como se todas pudessem ser a primeira música de um lado A de um disco, saca? As que sobraram, algumas descartamos ou usamos depois no segundo disco. Para este, o Fabio trouxe mais canções "fechadas", quase prontas, e mais pessoais (exatamente por isso, por achar que não conseguiríamos executar algumas delas com a pessoalidade necessária, decidimos não incluí-las no nosso repertório). A produção de ambos os discos foi nossa e do Dado.

Q. Porque o Second Come terminou?
R: Porque não estava mais divertido naquele momento.

Q. O que você destaca atualmente no atual cenário alternativo nacional?

R: Cara, pra te ser bem franco, ouço pouca coisa nova... do que ouvi, destaco pouca coisa, como o Lava Divers, Sonora Coisa, Loomer, o Supercordas (que já está ai faz um tempinho). Tem muita gente tocando muito bem, tecnicamente falando, mas pouca coisa me "emociona", saca?


Q. Depois da morte do Fabio muitos pensaram que seria basicamente impossível um retorno do Second Come, e enfim agora a volta foi anunciada. Qual a grande motivação pra volta?
R: O Fabio saiu da banda pouco antes de pararmos... ele anunciou isso na MTV, durante o segundo Juntatribo. Depois do final da banda e antes da morte do Fabio, fizemos alguns bons shows no Rio sem ele, em ocasiões especiais, pois o Fernando estava morando fora do Brasil e o Kadu tinha ido pra SP e precisávamos conciliar agendas. O Mauricio "Mauk" Garcia (que toca comigo no Oort Clouds) já tocava conosco nessas ocasiões. Agora, com os dois de volta ao Rio, resolvemos voltar a nos divertir. Só diversão... Até porque, dinheiro nunca foi "motivacional" para a existência da banda :)

Q. O que podemos esperar para o futuro? Shows? Novo Trabalho?
R: Shows! Sempre que as condições forem boas, tocar ao vivo é o que mais gostamos e queremos fazer. Estamos ensaiando bastante pra não fazer feio rsrs

Voltamos a compor, estamos ajustando algumas coisas, mas vamos gravar material novo, logo.

Espero poder tocar em São Paulo em breve... basta ter um bom lugar, bom equipamento e condições básicas pra isso. Vamos ver o que acontece...


Q. A fatídica pergunta, considerações finais?
R: Não tenho palavras finais. Espero que ainda demore pra isso :)

Por enquanto, quero poder fazer shows com o Second Come, compor, gravar, me divertir enquanto puder. E espero que as pessoas se divirtam também.
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Obrigado F. Kraus

E obrigado especial a Diego Mode, parceiro no crime, que intermediou toda a conversa.

http://mmrecords.com.br/second-come/
https://www.facebook.com/secondcome

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