segunda-feira, 7 de maio de 2012

Guiding Star with The Concept - An Interview

                                       

06, maio de 2012, tipica tarde do outuno paulista, aliás desde a hora que levantei algo me dizia que o dia estava perfeito....profetizava algo que estaria ainda por vir, mas o fato é que, música é sagrado, música é religioso, e quem não encara desta forma, certamente terá uma leitura um tanto quanto distorcida do que acontecerá no texto abaixo, aliás, deixem-me explicar antes de mais nada, aqui quem relata, não é o amigo Renato Malizia, tampouco o parceiro de muitos e muitos projetos, aqui é um cara neutro ok!!! Balela, aqui é o fã Renato Malizia que escreve sim, mas o fã aqui, tem direito adquirido de discutir música com os membros da banda, dizer o que está ou não mais ou menos, e por outro lado, o fã aqui exalta, grita, se expõe e vivencia par e passo a trajetória deste patrimônio do submundo da música "indie" nacional.

Indie o caralho!!!!!!, Bradava eu lá pelo meio do show do The Concept ontém a tarde no Projeto Ponto Pro Rock, aliás, foi mais do que "um ponto pro rock", o Concept mexeu fundo nos presentes, ver uma banda insana, doentia, que entrega a alma a cada canção é algo assustador nos dias de hoje, vide a banalização total do termo "indie", com o Concept o buraco não é mais embaixo, ele literalmente queima e arde em chamas, estas podem vir do inferno ou não, mas o fato é que Robson, Vagner, Henrique e José destroçam almas, expurgam demônios, uma banda de guitarras que aniquila qualquer vinculo indie que possa ser rotulada, o baixo de Vagner e sua presença que confronta até a própria aparelhagem choca e excita, Henrique possuído e abençoado pelos seus mestres da guitarra estilhaça o shoegazer do etereo ao estado bruto prestes a entrar em combustão plena, José não tem a menor dó de seu kit e espanca cada peça que o compõe...fiquei ao menos uns 10 minutos presenciando a cena, coitada da bateria!!!
                                                  

Robson, ou Bob para os intímos, é absurdamente excitante ouvir de minha garota o seguinte "caralho Rê o Bob toca pra caralho hein!!!" é, o Bob toca pra caralho....o fio que conduz a urgência do Concept é Robson Gomes, um guitar hero por excelência, noise, climático, acústico, melodioso, sua garota "a guitarra" é assim, ele a ama e ela o ama, tão loucamente que é quase desesperador o ato insano de não querer agarrar ambos, um caso de amor que a vida uniu eternamente, Bob canta as dores, os amores, os prazeres, a vida relatada de forma sutil e verdadeira.

Eu não queria que aqueles momentos acabassem nunca, mas por fim o show sim o SHOW em letras maiusculas e garrafais acabou e minha alma foi salva novamente por decadas e decadas, e confesso, tal qual anos atrás, esse garoto de 37 anos voltou a ter vontade de ter uma banda novamente.....

O The Concept me salvou....então....God Saves The Concept!!!!
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Amigos, para melhor entendimento desses sentimentos, leiam a vida do The Concept relatada pelos próprios e vejam o porque a música ainda tem salvação!!!

***** Interview with The Concept *****

                                               

Q. Quando vocês começaram muitos que ouvem falar do The Concept mal eram nascidos, contem-nos a história de como tudo começou.
R. O inicio pra mim foi assim: Eu estava começando a tocar guitarra e tinha uma banda com o André Semeone e fariamos nosso primeiro show em uma escola, precisavamos de uma bateria melhor e fomos pedir ao vagner e ele disse assim: tenho uma ideia melhor, vamos montar uma banda... rsrsrsrsrsrsrsrsrsrs

V. Em um dia de sol de 1991, chegou no meu humilde trabalho(ajudante em uma empresa de oleos e lubrificantes maquinarios), furtei a parte de cultura do jornal O estado de São Paulo, levei para o refeitorio e antes de trocar de roupas, li uma materia que mudaria a minha vida e desses outros malucos que venho encontrando nesse trajeto de criações e glorias, era a resenha do album Bandwagonesque dos escoceses do Teenage Funclub. Lembro-me das comparações com The Birds, Neil Young e principalmente Big Star e também que elels estavam em turne com o Nirvana, sem pensar ja fui direto do café da manha para o almoço, do Bom Retiro andando bem rapido para a Galeria do Rock, la chegando entrei na Velvet ,a primeira coisa que eu vi foi o album de capa pink e um saco de dinheiro, não lembro quanto eu paguei ,mas pra mim o preço é incalculavel, depois de passar a tarde inteira namorando a capa e o encarte, ao chegar em casa tirar o disco do saquinho, respirar fundo e soltar a agulha...na veia.A microfonia, distorção e melodia...assim nasceu The Concept, a primeira musica do disco.http://www.youtube.com/watch?v=7JYH1pVbqpQ&ob=av2n . Ouvi essa musica dia a pos dia nos 2 anos seguintes onde passou pelos meus neoronios sonhadores, que se um dia eu montasse uma banda ela se chamaria The Concept. 

 H. Pra mim a história começa a uns dez anos, quando eu comecei na cena rock do Itaim e o The Concept sempre foi a minha banda favorita na cena, eu ficava extremamente empolgado e impressionado com os shows, e isso me motivou a continuar tocando. Portanto o Concept foi fundamental na minha formação musical. 

Q. Quais são as influências da banda?
R. V.U., Stooges, Ride, JAMC, Spiritualized

V. Ride, Jesus, velvet, Spiritualized, Teenage Fanclub, MC5, The Stooges, Ramones, Joy Division, My Bloody Valentine, Pin Ups. 

H. JAMC, Ride, Stone Roses, Spiritualized, Velvet e Stooges, Joy Division e tudo que tenha muita guitarra e alma.
                                                 

Q. Qual o sentimento de tocar ao vivo?
R. O sentimento de tocar ao vivo pra mim é uma mistura de amor e furia, é como fazer amor e atirar nos seus inimigos ao mesmo, na verdade é o unico momento da minha vida onde nao se passa absolutamente nada na cabeça, é so uma grande entrega.

V. Eu tenho dois momentos de realização e felicidade nessa vida, um deles é quando divido esses momentos com a minha familia, namorada, amigos, cachorrinhos, o outro momento de existir e de estar, é subir ao palco , plugar tudo, apagar as luzes fechar os olhos e encontrar esses caras em outro sentimento. 

 H. Pra mim tocar ao vivo é um estado de espirito, é algo que transcende qualquer coisa, é uma entrega, pra mim é uma das melhores coisas do mundo, um dos únicos momentos, que absolutamente tudo faz sentido. 

Q. Como é o processo de criação das canções?
R. É um processo meio magico: alguem aparece com a ideia e seguimos juntos... so determinamos as passagens, e alguns arranjos principais, todo o resto é expontaneo e quando isso acontece, logo em seguida o ensaio acaba... é como se ficassemos exauridos pela força da nova musica. Não temos pudor de falar se ficou uma bosta ou se é uma obra de arte e quando acertamos, percebo que todos ficam muito satisfeitos e nos iluminamos um pouco mais.

V. Acontece, sequencias de riffs, acordes, letras, melodias e nasceu "Kicking Against the pricks"...a mais recente, outras vezes o Bob tras uma ideia e ja vamos direto pro refrão. 

H. Geralmente nasce de um riff ou letra de alguém, e ai todos contribuem com seus arranjos e ideias geralmente é tranquilo, e o legal é que primeira vez uqe tocamos a música ela dura uns 20 minutos diretos e só depois agente vai podando, rs.

                                         

Q. Porque o Concept em determinado momento “acabou”?
R. A banda cansou, foram tantos shows, tantos singles, a gravadora volume 1 deixou a gente na mão, foi um momento tenso e as brigas começaram a se tornar inevitaveis ao ponto da banda sucumbir depois de praticamente 14 anos de atividades intensas... eu e o vagner principalmente brigamos feio, de não nos falarmos por 4 anos. Esse periodo de hibernação do Concept pra mim foi importantissimo, pois estavamos disponiveis demais e de repente a banda não existia... algumas pessoas começaram a nos valorizar e por isso hj em dia fazemos poucas apresentações... so as que valem a pena serem feitas, ja antes tocavamos em qualquer pulgueiro que tivesse uma tomada e algumas cervejas

V. O Concept não acabou, explodiu, eu e o Bob nos desentendemos e foi cada um para o seu lado, e o resto foi pelos ares... 

                                                

Q. Qual a motivação no recente retorno, expliquem os motivos?
R. Acho que o vagner ira concordar... pra mim o ponto chave do retorno foi a morte de um dos maiores amigos e fãs do Concept, o Leandro q tambem era meu cunhado e foi devastador... isso reaproximou eu e o vagner.O leandro repetia quase que toda semana pra mim que o The Concept voltaria por sua causa... então pra mim, essencialmente a volta ao concept é uma homenagem a ele e uma ode a vida!!

V. Ja a volta foi rapida e indolor , ja que deviamos isso para uma pessoal muito especial, que desejou o retorno como o ultimo ato de sua vida, sentamos conversamos e apartir da ai foi só voltar aos ensaios, quando aconteceu fou inevitavel, tamanho é o poder de cada canção dessa história.E principalmente pela alegria de estarmos tocando juntos novamente. 

Q. Listem os 5 melhores álbuns de todos os tempos para vocês.
R. Teenage Fanclub - bandwagonesque
Velvet Underground & Nico
The Stone Roses - The Stone Roses
The Stooges - The Stooges
Ride - Going Blank Again
Bonus: JAMC - Barbed wire kisses 

H. Stooges – Raw Power 
Ride - Going Blank Again 
Automatic – JAMC
Velvet Underground & Nico 
The Stone Roses – The Stone Roses

V. The Velvet Underground & Nico, The Stooges, Psychocandy, Unknown Pleasures, Ocean Rain do Echo.

Q. Qual a influência de bandas como o Pin Ups, Killing Chainsaw, Second Come para a banda, vocês são fãs da cena nacional? Quais bandas novas vocês indicariam?
R. Quando montamos o Concept, me lembro de ter ido a um show do Pin Ups com o Vagner em sua formação classica e ao meu ver a unica... Foi um divisor de aguas, sou muito fã de Luis Gustavo e eles estavam otimos nesse show... Vi Second Come uma vez no Jurassico Urbania, assim como killing chainsaw, Low Dream, Sonic Disruptor, what´s up. Atualmente ouço da cena nacional The John Candy, Set The Settings, Drama Beat na atual formação, não posso afirmar que a cena esta fraca, pois não existe cena!! houve uma época que poderia se dizer isso, mas acabou graças ao provincianismo da mesma...

H. As melhores coisas da cena nacional estão no underground. E o underground é questão de garimpo.

V. Em mim particularmente o desejo de tocar em uma banda de rock foi durante uma apresentação do Pin Ups no Cais da Praça Rooselt, eles em cima do palco detonando, cantando em ingles, a galera chamando a Ale de gostosa, e ela xingando em bom portugues, entrou na minha cabeça e abriu a minha mente para fazer rock...ja as outras bandas nós conhecemos ja na estrada e acompanhamos até hoje... 

Q. E em relação as bandas gringas, quais vocês recomendam?
H. Todas as citadas como discos favoritos, tudo do Spaceman 3 , Tudo do Hendrix, Dinisaur Jr., My Bloody Valentine, das mais atuais gosto do Black Keys e do Black Rebel Motorcycle Club

V. Porra ai é foda vou recomendar umas 10, fora as cinco que ja mencionei com os melhores albuns, vamos lá? The Birds, Television, Sengapore Sling, Weending Present, Spiritualized, Shocking Blue, Roxy Music, Skywave, The Black Angels, House of love.
                                            

Q. Quais os planos para o futuro?
R. Unknow Pop, nosso novo disco que esta sendo gravado, The Best of Junkie Years que deve sair pela pisces, fazer bons shows e quem sabe fazer alguns shows fora do Brasil, hj ja uma possibilidade não tao remota e futuramente nosso proprio estudio...

H. O Novo disco Unknow Pop, está pra sair, pretendemos fazer shows legais aqui, e quem sabe fora do país, seria muito legal e hoje em dia há mais possibilidades.

V. Terminar e lançar o novo e uma coletanea, gravar alguns videos e tocar em qualquer parte do mundo que nos ofereça estrutura. 

Q. Algo a mais que vocês gostariam de dizer...
R. Nunca fomos bonzinhos!! 

H. Nunca fomos bonzinhos²!!!!

V. Quero dizer que estamos vivendo e participando de um grande momento para o rock independente, quero aqui agradecer a voce Renato Malizia ao seu trabalho maravilhoso de MOSTRAR as mais infinitas bandas , agradecer ao pessoal do Ponto pro Rock e Espaço Walden por acreditarem e pela imensa contribuição pela "cena" rock e dizer que ela esta aqui e só depende de união e profissionalismo, trabalho serio e qualidade para nos realizar como musicos e artistas, conto com voces, Plazma, Polite, Blemish, Elevadores, The John Candy, Loomer, Modulares, André Girard, Magic Crayon, The Cleners, Twinepines, Drama Beat, Hierofante Purpura, Piecies, Set the Setting e todos que estão de cabeça erguida nesse barco Shoegazer.
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4 comentários:

Pliniocb disse...

Para quem nao quer perceber as coisas, por preguica, birra ou qualquer outro motivo, pode pensar em uma panela! Amigos elogiando amigos, mas eu que acompanho isso de perto, ha tantos anos, seja por trabalho e/ou diversao, chamo isso de talento envolto de um amor sem moderacao, que faz com que cada apresentacao dos meninos do Itaim, que cada texto escrito aqui, nos emocione cada vez mais!!! Tenho orgulho de ser amigo de cada um de vcs!

TBTCI disse...

lindissimo Plinião!!lindissimo!!!o orgulho é reciproco!!!

dimitry uziel disse...

FOI FODA ESSE SHOW!!!
E esse texto, hein?! Não deixou a desejar em nenhuma frase.
Parabéns à todos.

Cícero disse...

A idéia do nome da banda que um garoto imaginou para sua banda e o ''a volta da banda'' foram passagens que realmente me emocionaram ao ponto de ter que sair da minha mesa de trabalho para não dar na cara que estava com lágtimas nos olhos...orgulho de vcs meus amigos!!!!!!!!!