terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

No Love Lost with Lautmusik - An Interview




Amigos, amigos, depois de um periodo de ressaca aqui no TBTCI a tendencia é retornar com todas as pedradas possiveis e imaginaveis para me redimir da ausência e para iniciar ataco logo de cara com uma das melhores bandas brasileiras atuais os gauchos da Lautmusik que simplesmente jogaram na nossa cara um dos melhores albuns do ano passado o debut Lost In Tropics, uma cacetada nos timpanos sem tempo para respirar, também pudera as influências são calcadas nos classicos do post punk, art noise e shoegazer, simplesmente basta dizer que se você ainda não ouvi Lost In Tropics deveria fazer um favor a si próprio e correr atrás urgente, desta pequena obra prima do underground nacional, e para melhor explicar o porque, como, quando e quais as reais intenções da Lautmusik nada mais perfeito do que saber dos caras o que eles tem a dizer, Srs e Sras, Lautmusik no TBTCI com a maior honra.

**** Interview with Lautmusik *****


Q Quando tudo começou? Porque Lautmusik?
A. Tudo começou em abril de 2006, quando o Prati (nosso baterista) e o Richard (nosso ex-guitarrista, hoje na Loomer), que trabalhavam na mesma empresa, começaram a falar sobre música e decidiram se juntar pra tocar. Chamaram a Marina (nossa ex-baixista, hoje na Electric Mind), que era amiga do Prati de um chat sobre o The Cure no mIRC (ou ICQ, não lembro agora). Eu não conhecia nenhum deles, mas disse pra um amigo em comum "ah, que legal, sempre quis cantar", apresentações foram feitas e, depois de ser devidamente sabatinada quanto ao meu gosto musical, acabei entrando na banda logo em seguida, em maio. Lautmusik significa "música alta" em alemão, e achamos que era um nome bem descritivo de como a gente soa. Também gostamos da sonoridade do idioma: temos duas músicas em alemão, "Zeitgeist", do segundo EP (2008), e "Mai", do álbum (2011).

Q. Quais as Influencias da banda?
A. Nossas influências são extremamente variadas - dá pra ter uma noção delas lendo um recente post nosso no Floga-se em que cada um dos integrantes citou seus 5 "discos da vida" (http://www.botequimdeideias.com.br/flogase/os-discos-da-vida-lautmusik/). Acho que o que mais transparece diretamente na sonoridade da banda é um misto de pós-punk dos 80, shoegaze/guitar rock dos 90 e punk dos 70, com uma pitadas de stoner e até de metal aqui e ali, mas ouso dizer que acho que o nosso som é atual. Como eu sempre gosto de frisar, não gostamos de revival, nem queremos emular algum movimento ou banda específicos. Claro que é inevitável que tudo aquilo que a gente ouve seja de alguma forma traduzido na nossa música, mas não é intencional. Uma coisa que eu vejo bastante são bandas sendo assimiladas a alguma outra, algo como "o (insira aqui o nome da banda) brasileiro", e também movimentos de resgate de um determinado período ou gênero musical. Acho isso até certo ponto natural, porque o ouvinte (e às vezes o próprio músico) quer se identificar com algo que conheça, mas não penso que isso acrescente muita coisa.

Q. Na opinião de vocês a cena inicial das guitar bands nacionais como brincando de deus, Pin ups, Secod Come, Low Dream entre outras tiveram influência no trabalho de vocês?
A. Pode-se dizer que sim, indiretamente. Eu só conheci a maioria dessas depois de a Laut ter sido formada, através do Richard (nosso ex-guitarrista), que é fã. São grandes bandas (também gosto bastante de Sonic Disruptor).

Q. E sobre a atual cena nacional, parece que nasce uma banda nova e boa a cada semana em cada esquina, quais bandas vocês recomendam atualmente?
A. De fato, muitas bandas excelentes têm aparecido no Brasil, provavelmente porque o "faça você mesmo", no atual estágio da tecnologia, ficou bastante simplificado. Hoje dá pra gravar material de qualidade bastante boa gastando pouco e os meios de divulgação estão ao alcance da mão. O problema é que, com esse volume de informações, é preciso filtrar bastante, mas no fim das contas ainda se sai ganhando, acho eu. Cada integrante da banda tem suas preferidas, mas gosto muito de Violeta de Outono, The Tamborines (que é 2/3 brasileira, mas vale), FireFriend, Damn Laser Vampires (conto que eles voltem, como prometeram!), Macaco Bong, Walverdes e ouvi muitas coisas interessantíssimas em 2011 (Starfire Connective Sound, Team.Radio, Labirinto, This Lonely Crowd, Lavalsa e mais uns tantos). Tem também um "levante" relativamente recente de bandas de ótima qualidade aqui no Rio Grande do Sul que não dá pra deixar de citar (Loomer, Hangovers, Medialunas e Badhoneys - todas com integrantes em comum - metroidE, Monstro Motor, Telecines e Dating Robots, por exemplo).


Q. Como foi o processo de gravação do Lost in Tropics?
A. Foi dividido em duas etapas: gravamos quatro faixas que seriam lançadas como EP, mas no meio do processo saíram várias composições novas e fizemos um esforço concentrado e gravamos mais 7 pra integrar o álbum. Apesar disso, acho que o álbum ficou coeso, apesar de variado. Sempre procuramos fazer músicas diferentes entre si mas que ao mesmo tempo sejam bem características nossas. O processo de gravação foi também bastante divertido, porque gravar com o Japa (Eduardo Suwa, nosso produtor) é sempre muito bacana, e um aprendizado.

Q. Qual a sensação de tocar ao vivo? Como foram os shows no ano passado?
A. Poucas sensações se comparam à de estar em um palco. É excepcionalmente divertido. A Laut não toca com muita frequência: no ano passado, como estávamos compondo e gravando álbum e clipe, fizemos só dois shows, no fim do ano - um pra lançar o clipe e outro pra lançar o álbum. Neste ano faremos mais shows, pra divulgar o disco.

Q. Quais bandas gringas da atualidade vocês recomendam?
A. Os guris certamente teriam várias recomendações, mas vou falar aqui do que tenho ouvido: sou muito fã do A Place to Bury Strangers, que eu acho que se destaca das outras bandas noisy porque o barulho serve a um propósito e a melodia não fica em segundo plano. Vi um show deles em 2009 e achei sensacional. Gosto de viajar pra ver shows, e outro que achei excepcional foi o do Black Rebel Motorcycle Club (não consigo entender por que eles são subestimados por tanta gente). No fim do mês vou ver o Kasabian, outra banda que eu recomendo muitíssimo (sem contar que "Velociraptor!" é um baita título de disco). Ouço bastante o Darker My Love, que me foi apresentado pelo Murilo, nosso guitarrista, The Vandelles, gostei bastante dos últimos dos Arctic Monkeys (que vou ver em abril) e do The Kills e, no momento, aguardo ansiosamente o novo do Garbage.

Q. Quais os 5 melhores álbuns de todos os tempos para a Lautmusik?
A. Bah, essa pergunta é praticamente impossível de responder! Já sofremos pra indicar 5 cada um. Falando só por mim, na matéria do Floga-se citei os que mais marcaram momentos da minha vida - não necessariamente os que acho melhores: Ramones - Rocket to Russia (embora prefira o primeiro), Black Sabbath - Paranoid, Cocteau Twins - Treasure, The Jesus & Mary Chain - Automatic (embora prefira o Psychocandy) e Joy Division - Unknown Pleasures.

Q. Quais os próximos passos para a Lautmusik?
A. Queremos continuar compondo pra lançar um segundo álbum (estamos em férias agora, mas em dezembro já compusemos mais uma música nova), talvez gravar mais um clipe e fazer uns shows por aí, mas o principal, mesmo, é continuar tendo nosso momento semanal de diversão nos ensaios e botando a criatividade a funcionar.

Q. Alguma coisa a mais para nos contar?
A. Leitores do blog, em julho tocaremos em SP - apareçam!
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Valeu Alê

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